sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Natal: consumo e irresponsabilidade

Desculpem-se os apreciadores da data, mas, particularmente, eu não gosto do Natal.
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Para mim (e para outros tantos, eu bem sei) trata-se de festa, atualmente, muito desvirtuada. Os propósitos relativos aos momentos de confraternização foram substituídos por muito consumo desenfreado.
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Vivemos uma época de profundos desequilibrios no planeta. Poucas nações muito ricas e um grande números de outras muito pobres. Muita gente submetida à exclusão de direitos básicos para qualquer ser humano.
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Na seara da ecologia, estamos à beira de um colapso e mesmo assim as providências necessárias para conter o desequilibrio não foram tomadas.
Neste sentido, estamos diante de um binômio perigoso: Consumo demasiado e produção focada principalmente no lucro.
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Para muitos a festa tb é melancólica, pois, um outro aspecto delicado do Natal é a exarcebação da solidão. Apesar de, graças a Deus, não ser este o meu caso, entendo o quanto estas datas afetam as pessoas desprovidas da companhia de seus entes queridos.

Enquanto muitos celebram com consumo, outros tantos vivenciam o afastamento.

Enfim, esperemos o Natal passar ... de qualquer sorte ...vamos sobreviver.

Em tempo: Uma dica imperdível para o Natal é assistir ao filme "O Estranho mundo de Jack" (The Nightmare Before Christmas), uma animação para adultos cujo objetivo é promover a discussão axiológica das tradições e o quanto nos auto-centramos nelas.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

"Viver ultrapassa todo entendimento": Obama



Ontem vi Obama na TV. Parecia estar alguns anos mais velho, deste a sua bela vitória, há menos de duas semanas. Fisionomia exausta, alguns cabelos brancos novos aparecendo e com uma expressão de quem não dorme há algumas noites.

Minha admiração, por ele, cresceu muito depois disto. Lembrei-me de Bush com seu eterno sorriso vazio e de outros tantos políticos sorrindo e sorrindo diante do caos.

O trabalho será imenso, insanamente imenso. Todos(as) nós sabíamos disto. Acontece que saber é uma coisa, sentir é bem diferente.


Realmente, como diria Clarice (olha a intimidade!) " viver ultrapassa todo o entendimento".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Para além da "feroz urgência do agora": Obama


Assistimos nestes últimos dois dias a História reinventar-se primorosamente - Barack Obama venceu as eleições dos Estados Unidos da América. Para os mais conservadores e reacionários um fato desta ordem soa como algo relativo aos fins dos tempos.
E estão certos. A vitória de Obama representa um avanço democrático fundamental para a consolidação dos ideais concernentes à justiça social e à igualdade de direitos entre cidadãos e cidadãs, sejam eles ricos(as), pobres, negros(as) ou brancos(as).
Com um discurso bastante moderado, define-se Barack Obama enquanto candidato (agora presidente) supra-racial [ou supra-étnico?].
Pensando na teia das representações simbólicas que podem ser geradas a partir deste momento, as garotas norte-americanas e outras tantas, por certo, terão uma referencia feminina bastante distinta da grande maioria de primeiras-damas desta nação. Michelle Obama é uma advogada respeitada, bem remunerada, que com suas posturas firmes e coerentes venceu uma série de preconceitos e alcançou o patamar da respeitabilidade social e profissional.
O novo presidente dos EUA receberá uma nação em profunda crise econômica com coleções de problemas sociais e deverá perder muitas e muitas horas de sono para tentar equilibrar, juntamente com sua equipe e colaboradores, uma série de forças políticas complexas e antagônicas.
O novo presidente dos EUA, com sua coragem e determinação, traz à visibilidade histórica toda uma população preterida pelos poderes públicos há muito.
Seguem palavras do próprio Obama para pensarmos um pouquinho mais sobre este momento tão importante.
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«Anunciei que disputaria a eleição por conta daquilo que Martin Luther King definiu como 'a feroz urgência do agora'. O momento é agora. Não quero passar os próximos 4, 8 ou 12 anos assistindo às mesmas discussões, travadas da mesma maneira e com a mesma falta de resultados. Não quero opôr os conservadores aos liberais, quero liderar os Estados Unidos da América...(...)Em cada momento histórico surgiu uma geração capaz de se erguer e imaginar algo de melhor para este país, uma geração disposta a lutar e a se sacrificar pelas próximas gerações. Agora chegou a nossa vez de lutar.Foi por isso que decidi disputar a candidatura. Não só porque eu tenho confiança na minha capacidade de liderar o país, mas porque tenho confiança em vocês...(...)Confio em que vocês sintam nos vossos corações a necessidade de agir de um modo melhor. Prometo-vos que se decidirem unir a mim, eu garanto: não só venceremos uma eleição mas mudaremos a face deste país.»
...
Barack Obama

sábado, 1 de novembro de 2008

A Lenda II: o níver!


Reza a já conhecida lenda que ele é de escorpião.
Logo na chegada do mês de novembro nós comemoramos o seu aniversário.

E assim vai ele completando mais um ciclo, junto às suas amigas e aos seus amigos que tanto lhe querem bem.

Para ele todas as felicidades neste dia e em todos os demais: Saúde, Luz, Paz, Prosperidade e muito, muito Amor mesmo.

Muitos beijinhos para vc fm-fm. :)

A foto: www.anarebolosartisticos.blogger.com.br/2007

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Antes de partir

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"Edward Cole (Jack Nicholson) e Carter Chambers (Morgan Freeman) são dois homens com câncer em estágio terminal, que fogem do hospital e põem os pés na estrada com uma lista de coisas que gostariam de fazer antes de morrer." www.interfilmes.com

Para quem gosta de interpretações memoráveis, segue a dica.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Beijinho para Cris

Pedi ajuda para mudança do template e logo obtive o auxílio luxuoso da Cris.

Minha amiga "preparou" carinhosamente três imagens de Monet e entre elas optei pela que vemos acima.

Escolhi as flores ao lado para agradecer e deixar um beijinho para vc, minha querida :)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mudança de template


Minhas (eus) queridas(os),

O Estrelas resolveu fazer uma reforminha básica.
Como desconheço a maior parte das possibilidades em relação à mudança do template, gostaria de contar com a colaboração das(os) amigas(os) com sugestões e dicas.
Enquanto aguardo fico neste modelito básico que, aliás, é bastante interessante.


Beijo para todo mundo :)

Sob o olhar do mar

Tive a oportunidade de assistir, neste final de semana, à última estoria de amor de Akira Kurosawa - Sob o olhar do mar.
Mestre Kuroswa, mais uma vez, com sua delicadeza, constroi - a partir de um prostíbulo - uma visão da sociedade japonesa no final do século XIX destacando, principalmente, seus valores.
O mar na condição de veículo de renovação é evocado e a partir de sua ação a mensagem do filme é ampliada e passa a não mais falar apenas dos costumes daquela sociedade, mas a discutir valores comuns às sociedades, de uma forma em geral: solidariedade, fraternidade, autruísmo e as prioridades existenciais de homens e mulheres deste planeta.
A belíssima fotografia coroa a delicadeza da linguagem deste filme lançado postumamente, uma vez que o cineasta japonês não conseguiu filmá-lo.
Mais uma vez o mestre de Rapsódia em Agosto, Ran e Os Sete Samurais nos brinda com uma obra tocante.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Blogs e exclusão

Ultimamente, tenho lido alguns blogs. Tenho gostado muito do que leio, embora alguns sejam um pouco menos atraentes, para mim, que outros.
Fico pensando, ao ler estes conteúdos, na imensa quantidade existente destes espaços virtuais que permitem as pessoas se expressarem da mesma forma que o fazem ao falar. Aquela regra que indicava linguagem adloquial para a escrita e coloquial para a expressão oral, vem por terra com estes tempos de internet.
A profusão dos blogs desmitifica, também, aquela máxima conservadora que apregoava não se escrever tanto quanto antigamente. Na verdade, acredito que com e-mais, blogs e a comunicação virtual (seja ela de que ordem) temos escrito tanto quanto, ou mesmo, um pouco mais.
O nó desta questão, entretanto, é que esta expansão, infelizmente, não toca muito no principal problema educacional brasileiro: o analfabetismo.
Na verdade um redimensiona o outro, uma vez que as pessoas em estagio de analfabetismo quer seja ele total, ou funcional, precisam lidar um outro compartimento desta construção - o analfabetismo digital.
Tentando imaginar a quantidade de blogs existentes atualmente no Brasil, aparece uma outra variável deste problema então: excesso de informação e dificuldade de acesso a todo este conteúdo.
Os leitores precisam ser cada vez mais seletivos, pois, não se pode ter acesso a tudo e os ainda não letrados enfrentam o problema inverso - a necessidade de se ter acesso à comunicação escrita.
Mais uma vez estamos diante do problema: desenvolvimento tecnológico x democratização do conhecimento.
A História, nestes últimos cem anos, aponta para uma evidência inconteste: há uma probabilidade muito maior de desenvolvimento e minimização da violência para os países que investiram verdadeiramente em educação.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ano feliz e doce / Shaná Tová umetuká!


Começa a ser celebrado hoje, ao pôr-do-sol, o Rosh Hashana (Cabeça do Ano), Ano Novo judaico que marca o início no ano de 5769.
Para aqueles que seguem a lei mosaica, que este ano seja muito doce.
Para todos os demais, um feliz e doce recomeço, neste dia, pois todo dia é dia de recomeçar.

Eleições

Candelária - 1984

Às vésperas das eleições, reflito um pouco sobre as mudanças ocorridas neste processo, ao longo da História.
Para quem já votou algumas vezes, é normal deixar-se abater pelo desânimo. No polo oposto encontramos aqueles cujos pendores político-partidários, (em qualquer momento histórico), clamarão apaixonadamente por uma opção eleitoral, ou por outra.
Assistindo ao show das campanhas vejo-me diante de um grande pregão, como numa feira livre. Os candidatos e candidatas são apresentados na condição de mercadoria: este é melhor, por isto, aquele é melhor, por aquilo.
Nesta enxurrada de nomes, números e matizes ideológicos acontece um verdadeiro vale-tudo e as propostas e fórmulas mais esdrúxulas são veículadas na mídia.
Se por um lado rezamos para que isto acabe e nos livremos deste momento (ou seria tormento?), o mais rápido possível, por outro é sempre bom recordar os tempos da ditadura militar, no Brasil, quando a proibição dos pleitos democráticos esteve intrincada aos dissabores promovidos pela censura implacável e irrestrita.
De qualquer sorte, ainda que tenhamos a exata medida capitalista do carater democrático das eleições, é sempre bom (ainda que com algumas, ou muitas, contrariedades) desfrutar de momentos como este.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Anacronia e ultra-conservadorismo


Paulo Freire(Recife/1921 - São Paulo/1997), retratado por André Koehne (Wikipédia)

Um amigo me informou que a viúva de Paulo Freire escreveu uma carta em repúdio a uma edição da revista Veja. Fiquei bastante curiosa para ler mais sobre o assunto, pois, sempre fui uma entusiasta das idéias deste pensador, cujo papel histórico é da maior importancia para quem pensa a educação do país.
Enfim, encontrei o texto e fiquei impressionada com o grau de alienação das pessoas que o escreveram. O material pareceu-me estar inserido num momento histórico diferente do atual, ainda que tenha sido publicado há um pouco mais de um mês.
Usando referênciais anacrônicos, as autoras do artigo caracterizam o Prof. Paulo Freire como "autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização".
Estranhamente, este homem dedicou toda uma vida, construiu uma carreira acadêmica, das mais sólidas, ganhou discípulos e teve suas idéias adotadas em muitos outros países, como é o caso do Chile e de Angola, às custas de um disfarce. Será possível?
Ainda que setores conservadores da academia tivessem restrições àquilo que se convencionou chamar de Método Paulo Freire, tecendo muitas críticas às suas idéias, é correto chamar todo um constructo político-pedagógico, da maior seriedade, de disfarce?
A Pontificia Universidade Católica - PUC, de São Paulo, teria criado uma Cátedra homenageando um charlatão?
Para quem quer flanar na crista da discussão estabelecida pela pós-modernidade, de qualquer sorte, jamais deveria adotar uma terminologia tão anacrônica quanto "doutrinação esquerdista", uma vez que isto remete a uma idéia de bipolaridade, atualmente, ultrapassada.
Para as autoras do artigo, os(as) docentes brasileiros(as) são acríticos em relação a alguns personagens históricos por destacar figuras como Che Guevara e Paulo Freire, quando deveriam reverenciar "o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade". (Palavras textuais)
Não seria muito mais acrítico, eleger Einstein como referência fundamental para educadores brasileiros preocupados com a nossa realidade histórica?
Ana Maria Freire, Nita, responde à altura considerando o conteúdo da revista ultra-conservador e os comentários tecidos contra Paulo Freire veiculados em "linguagem grosseira, rasteira e irresponsável".
A revista, portanto, adota uma "postura danosa" na condição de veículo midiático.
(Ir)responsabilidades a parte, ter contacto com algo desta natureza só nos remete àquele questionamento da superposição dos vários tempos da História, onde espaços reacionários são capazes de conviver com outros tantos mais, ou menos, progressistas.
Para quem gosta desta discussão segue o link:

domingo, 21 de setembro de 2008

Feliz semana

O domingo nos suscita sempre o mesmo ritual: fechar os olhos, respirar fundo e acreditar que tudo vai dar certo nesta semana que começa.
Então, mãos a obra!
Que esta semana seja gentil com os seus olhos, proporcionando imagens maravilhosas. Que você veja muitas crianças sorrindo, muitos pássaros, muitas flores de dia e muitas estrelas a noite.
Que você sinta, bem pertinho, muitas e muitas vezes o perfume de quem vc ama. O cheirinho da comidinha feita com carinho e que nas refeições o seu espírito seja alimentado pela presença daqueles que lhe são caros.
Que vc ouça a sua música predileta, as suas vozes prediletas, em canções gravadas ou na canção interior.
Que suas preces sejam por uma realidade mais harmônica, para todos nós.
Que vc seja feliz no seu tempo e no seu estilo.

Um beijo para quem passa por aqui e feliz semana!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Papéis trocados


Li, aqui mesmo na net, um caso muito interessante de um furto ocorrido no Rio Grande do Sul, mais precisamente, em Passo Fundo.
Um ladrão rouba um carro, estacionado na frente de um bar e algum tempo depois liga pra delagacia dizendo que estava devolvendo o veículo, pois, encontrara no banco traseiro um garotinho de 5 anos dormindo.
No diálogo entre ele e o policial de plantão estão presentes elementos muito interessantes.
Primeiro ele diz que roubara o carro mesmo e que estava assumindo. Em seguida, falava na criança e acusava os pais (e aí ele usa de palavreado chulo para se referir aos responsáveis pelo menino, coisa que eu achei excelente, pois, nada como um bom palavrão para traduzir, em determinados momentos, o que realmente sentimos) de irresponsáveis.
No final ele assume uma postura muito afetiva (quase fôfa mesmo) ao tratar o menino por "piazinho" diminutivo de piá (termo usado pelos gaúchos para se referirem às crianças).
Enfim show de um monte de coisas bacanas este ladrão: honestidade, responsabilidade, maturidade, afetividade ... atributos normalmente concernentes aos pais e não aos transgressores da lei.
A mãe, na eminencia de ter um processo aberto contra si, defendeu-se dizendo que fora ao bar, rapidamente, para pegar um documento e coisa e tal. Enfim, não convenceu!
Em tempos de situações tão estapafurdias...brindemos ao que ainda nos resta de bom.

Tenham uma ótima sexta-feira!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ele


Há muito penso em falar dele. Na execução desta tarefa, entretanto, enfrento muitas dificuldades. Quem manda, tb, ele ser tão singular?
O que me vem à cabeça, de imediato, é uma lista enorme de elogios. É claro que eu ficaria constrangidíssima em fazer isto, mas a tentação é grande.
Então vamos lá: como pode alguém nascido em pleno século 17, ter ficado em plena invisibilidade durante mais de um século e, passados tantos anos, ser capaz de preencher a lacuna estética de pessoas tão diferentes pelo mundo?
Que singularidade traz a sua produção ao ponto de ser alvo de tantos e tantos especialistas e estudiosos?
No meu caso, então, nem se fala. Ele não só me entende ... ele me traduz. É bem isto mesmo. Eu me vejo, ali, representada. Nota por nota. E isto me deixa muito pensativa, pois acredito que outros e outras tb tenham reações similares.
Na verdade, devo confessar: tenho ciúmes dele.
Irrita-me, sobremaneira, encontrar alguém (que não sou eu, evidentemente) dizendo: ah ...isto ele fez pra mim! Aquilo ele compôs para mim, muito antes d´eu nascer.
Pouco me importa se quem fala é especialista, ou não. Se é idoso e passou a vida toda a estudá-lo e até se gravou suas obras e é renomado, por isto mesmo.
Desculpem-me todos, mas a coisa é assim mesmo.
E não quero ser afetivamente correta, se é que isto é possivel. Então ele é meu e depois de ser meu ... ah ... aí sim ... pode ser dos(as) demais.
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É isto.
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PS: Para eu não ficar com minha consciência pesada, segue o link: http://www.jsbach.net/midi/index.html

A fábula

Reza a fábula que ele era dono de uma bela voz e criara uma comunidade, onde todos se respeitavam e brincavam uns com os outros.
O seu temperamento não era nada fácil, mas tudo era superado pela deferência com que tratava a todos e pelo carinho, de sua parte, expresso frequentemente.
Apesar de suas constantes exigências acompanhadas, quase sempre, de muitas queixas, todos naquele universo devotavam-lhe grande amizade e carinho.
A inquietação era uma outra característica sua. Sempre disposto a renovar o ambiente e a agregar os amigos, criara momentos muito especiais.
Assim, ele seguia propiciando a socialização de muitas novidades interessantes e estimulando a participação de todos.
Nestes tempos complicados...ainda bem que as fábulas existem e delas podemos desfrutar ... quase sempre.

A afetividade e o virtual


Fiquei pensando nos laços afetivos desenvolvidos na virtualidade. Antigamente, para chamarmos alguém de amigo(a) era necessário conhecer a pessoa para além (ou aquém) da esfera pública. Era preciso frequentar-lhe a casa, conhecer sua família, adentrar um pouco na sua intimidade e todos estes passos eram próprios deste processo.
A revolução tecnológica trouxe consigo uma alteração bastante significatica e, quase mesmo, desconcertante das noções ligadas à esfera afetiva.
A enorme gama de possibilidades disponibilizadas na Rede, para todos os gostos e necessidades, possibilita a rediscussão deste tema.
Casamentos, aparentemente, sólidos são desfeitos graças à chegada, através do teclado e do monitor, de uma terceira possibilidade. Por vezes, as lacunas e arestas existentes nas relações conjugais são supridas e/ou aparadas pela presença, em muitos casos, idealizada daquele, ou daquela que reestabelecerá, ainda que por algum tempo, os níveis de endorfina a patamares aceitaveis.
Em salas virtuais, comunidades do Orkut e listas de discussões, amizades são constituídas. Inimizades tb. No espaço virtual, conhece-se pessoas de quase todos os lugares pelos quais a globalização deu o ar de sua graça ou anti-graça.
A despeito de todos os perigos existentes, na internet encontram-se pessoas ímpares. Nossos amigos virtuais, na verdade, pela singularidade de suas inserções em nossas vidas, são muito mais que isto. Suas presenças são mais constantes que amigos e/ou amigas que conhecemos há muito. Com eles trocamos idéias e deles sentimos saudades. Ouvimos e damos opiniões sobre questões importantes, conhecemos suas prioridades e preferências, e assim estes laços são estabelecidos, independente de um abraço ou aperto de mão.
Hoje parei para escrever estas coisas, pois, mais uma vez fui contemplada com uma bronca carinhosa em relação à atualização do Estrelas. E eu, devo confessar, fico sempre feliz com isto.
Para todos os que conheci no espaço virtual e aprendi a gostar no campo real, desejo um resto de semana maravilhoso.

domingo, 7 de setembro de 2008

Amy

Levei uma bronca carinhosa por ter abandonado este espaço. Então, aqui estou, prontamente, de volta ao Estrelas.
Li, outro dia, uma nota sobre a criação de uma bolsa de apostas em função do dia da morte de Amy Winehouse.
Fiquei me perguntando o porquê destas coisas.
Causou-me espanto, primeiramente, a morbidez do assunto. Acredito que muitos apostadores sintam-se estimulados pela forma como a imprensa sempre trata temas desta ordem.
Em seguida, fiquei pensando na garota cujo talento musical foi revelado muito precocemente, de perfomances estilosas, com prêmios acumulados, teimando em dizer "No, no, no" a tudo aquilo que não seja viceralmente radical.
Refletindo sobre as trilhas de Joplin, Hendrix e tantos outros, cujas carreiras foram, na maioria dos casos, interrompidas pelas próprias dimensões de suas dores e anseios.
Como este espaço foi criado para discutir pesadelos, todas estas questões parecem dialogar com esta imagem de Amy, a sonhar, também, com muitas perspectivas de sim, em sua estrada, pois, a estrada também nos assegura muitos "sims" para dialogar com outros tantos nãos.
...
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sempre Cecília



Tudo nela leva à unanimidade. Fico, entretanto, me recordando que o adagio rodriguiano nos diz que toda unanimidade é burra. Ela, por certo, é uma exceção a esta regra.

Cecília Meireles é única e por assim o ser brilha no nosso cenário literário. De uma forma muito peculiar escrevia para crianças e adultos. Ficam aqui dois momentos de sua lírica.

Para crianças:

Leilão de jardim

Quem me compra um jardim com flores?
borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a suacanção?
E o grilinho dentrodo chão?
(Este é meu leilão!)

E para adultos:

Noções

Entre mim e mim,
há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos.
.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.
..
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.
...
Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
....
Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Partida


Ele era egípcio. Isto mesmo. Morava em frente a mim e era egípcio. Não pensei em conhecer um na cidade, mas encontrei-me com ele algumas dezenas de vezes.
Os moradores do bairro o conheciam por um apelido italiano e era reconhecidamente um bom papo. Ultrapassara a casa dos oitenta, era místico, calvo, um olhar arguto e sempre me saudava com aquele sorriso acolhedor.
Na última segunda-feira passei por ele e o vi com um olhar pensativo e preocupado, fixado num certo ponto que parecia incomodar.
Após este encontro, fui para casa, pensando na fotografia que vira, há algum tempo, em sua residência, onde ele, jovem e bonito, montava um camelo, junto a outros dois homens, tb montados, na frente das clássicas pirâmides de Quéop, Quéfren e Miquerinos. A foto amarelada causou-me espanto. Parecia um registro de fotojornalismo, mas na verdade era um pedacinho da vida do meu vizinho a se confundir com as minhas memórias escolares - História do Egito:pirâmides, dinastias de faraós, escravos, politeísmo e o meu vizinho.
No dia seguinte, saindo para o trabalho alguém me perguntou: - vc já soube o que aconteceu? Pois bem, assim me veio a notícia do falecimento dele. Fiquei parada, congelada naqueles segundos imensos. Soube também que algumas pessoas, cedo, conversaram um pouco com ele, que por sua vez havia estado no médico, naquela mesma manhã para exames de rotina e nada fora detectado.
Hoje, passado dois dias, senti saudades da sua presença, do seu olhar arguto e do seu sorriso bondoso. Enfim, com uma passagem tão rápida, como foi a sua (beneficio concedido a tão poucos) acredito que ele esteja bem, feliz junto aos seus, faraós ou não.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

L´Oratorio D´Aurélia


Chegamos com uma hora de antecedencia para vê-las. Estávamos ansiosas. Imagina só: a neta de Chaplin, personagem-título, sendo dirigida pela própria mãe, Vitoria Thierrée, filha do mito.
A proposta é muito singular: um espetáculo de teatro que rende homenagem ao circo de maneira singela e delicada.
Fiquei encantada com o que vi.
A cena da cômoda é de prender a respiração: Aurelia se encaixa nas gavetinhas do móvel, assim como nós, muitas vezes, temos a nossa ação compartimentada no cotidiano, e acabamos por aperceber a nossa atuação no mundo de maneira fragmentada.
O clima de mistério é fundamental para público desfrutar da magia e encantamento do Oratório.
Muito bonito mesmo!
Pena que não conseguimos assistir. É ...faltou dizer isto.
Chegamos tardiamente, pois quem conseguiu entrar no teatro chegou com três horas de antecedencia. Então, só me restou o You tube.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ecumenismo



As sextas-feiras sempre me fazem refletir sobre o Ecumenismo, uma vez que algumas religiões prescrevem o branco para ser, neste dia da semana, usado. No Candomblé, veste-se branco por ser a sexta-feira dia do orixá Oxalá. No Judaísmo veste-se branco na cerimônia do Shabat, a festa semanal e a mais importante para os judeus. Uma conhecida pontuou, para mim, certa feita, que os mulçumanos,também, vestem branco na sexta. (Falha minha não saber precisamente isto, até agora, confesso.) De qualquer sorte, aí temos um elemento interessante para a discussão sobre o Ecumenismo.
Conversava, outro dia, com uma amiga sobre os limites do Ecumenismo. Terreno lodoso e conflitivo, o esforço de se respeitar a fé do outro (e da outra, é óbvio) traz consigo limites bem demarcados, uma vez que religião é poder, e muito poder, em determinados casos.
Poder que, durante o processo histórico da humanidade, foi responsável pela morte de milhares de pessoas. Poder que prescreve normas e regras complexas no que tange à cultura e aos costumes.
Poder que estabelece separação entre as pessoas, quando num determinado locus histórico duas religiões disputam-no (como no caso de árabes e judeus na Palestina e católicos e protestantes na Irlanda do Norte).
Poder que segrega, mesmo graçando sozinho, por impingir códigos rígidos e anacrônicos, como foi demonstrado no romance o Caçador de Pipas, tão belamente transposto para o cinema.
O Ecumenismo, diante disto tudo, é muito louvável, pois amalgama uma reflexão democrática por parte de quem o concretiza.
"Quem é ateu e viu", ou não, "milagres como eu", acredito que esteja um pouco mais tranquilo. Em nada acredita e só lhe resta duas opções: achar todas as manifestações de fé uma coisa meio estapafúrdia ou respeitar isto como algo inerente ao ser humano, sem lhe dizer respeito, especificamente.
No meu caso, professar o ateísmo é coisa impossível. A religação é algo vital para mim. Sem fé não sobrevivo.
A experiência da fé é intransferível, sempre acreditei nisto. Por mais proselitista que seja o discurso do fiel no sentido de convencer o potencial convertido, se este não vivenciar viceralmente a fé e a experiencia da religação, em toda sua magnitude, a conversão não se processará.
A conversão acredito seja uma, ou a experiência de entrega mais complexa existente. Delega-se o poder que nos é conferido pela existência, preterimos todos os demais caminhos, em detrimento daquele que responde aos nossos anseios mais dificeis e marcantes. A conversão é a forma de aplacar os nossos conflitos que nos levam à guerra - a guerra interior. E nem sempre a conversão é eficaz, pois, em tempos de mudança paradigmática, como estes, conflito é o que não nos falta e temos que lidar com estas guerras cotidianas ansiando, ou pelo menos tendo fé que, no futuro, teremos uma realidade um pouco mais harmônica... sabe-se lá como.
Diante desta constatação vem a sexta-feira me dizer que hoje é dia de branco e que branco ainda simboliza a Paz.


Um excelente final de semana para todos nós: os que acreditam, seja lá de que forma, e para os que não acreditam tb.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

San Vicente


Amo San Vicente. Esta música interpretada por Milton é simplemente maravilhosa. No momento em que ela foi concebida, o Brasil respirava asfixiado pela Ditadura Militar, embora o pior já tivesse passado qdo Bituca, com este vozeirão inconfundível, gravou a canção. Fiquei recordando-a, um dia destes, e é uma pena que eu não saiba colocar, ainda, um arquivo midi no Blog, para ouvi-la aqui mesmo. De qualquer sorte, a letra está aí e fica prometida a música nesta voz tão nossa e tão querida.




San Vicente

Coração americano
Acordei de sonho estranho
Um gosto, vidro e corte
Um sabor de chocolate
No corpo e na cidade
Um sabor de vida e morte
Coração americano
Um sabor de vida e morte
A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
stava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Com sabor de vidro e corte


Ôoooooooooooo...


As horas não se contavam
E o que era negro anoiteceu
Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente
Coração americano
Um sabor de vidro e corte

domingo, 20 de julho de 2008

Domingo ...



... hoje ... o bom mesmo ... é sentar numa poltrona bem confortável e ler um bom livro e/ou ver um bom filme, juntinho com quem "canta a canção da nossa alma".

sábado, 19 de julho de 2008

Viver é afinar o instrumento...

"Lute Player" Orazio Gentileschi

Tenho lembrado muito desta música do Walter Franco, nestes últimos dias. É incrível, como há momentos em que desafinamos. A isto chamamos: crise! Às vezes desafinamos com nós mesmos, outras, com os outros. Por vezes, são os relacionamentos que desafinam. O mais importante, acredito, seja aproveitar a crise para afinar, o máximo possível, "o instrumento".

A letra do Walter (olha a intimidade!) é interessante, pois, propõe um atenção especial para estas "desafinadas" ao indicar a forma como o instrumento deve ser cuidado - de dentro pra fora, de fora pra dentro,a toda hora, a todo momento.

Enfim ...dá um trabalhão danado, mas o resultado é uma maravilha.



Serra do Luar

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento

Eu só voltei pra te contar
Viajei...Fui pra Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem pra terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Feliz Aniversário!

Hoje, os deuses festejam o aniversário de uma linda Estrela e, por isto, estão muito felizes.
Nós aqui, neste planeta confuso, também, paramos, a nossa rotina e as nossas queixas cotidianas para festejar, junto a eles, a presença desta Estrela em nossas vidas.
Que a Felicidade seja a companhia mais constante deste ser tão especial.
Muitos beijos, meu bem.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

...e a deusa Deméter concedeu-nos a Primavera!

O Retorno de Perséfone

Recordo-me, com um certo conforto, do mito de Deméter - a deusa cuja filha, Corê/Perséfone, foi roubada por Hades e diante do sofrimento fez com que a terra pagasse com a ausência da vida.
Pois bem, a nossa felicidade diante da realidade árida e caótica reside, justamente, na esperança das futuras Primaveras.

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Alguem que ainda continua a procurar novas portas e experimentar novas chaves.