sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ecumenismo



As sextas-feiras sempre me fazem refletir sobre o Ecumenismo, uma vez que algumas religiões prescrevem o branco para ser, neste dia da semana, usado. No Candomblé, veste-se branco por ser a sexta-feira dia do orixá Oxalá. No Judaísmo veste-se branco na cerimônia do Shabat, a festa semanal e a mais importante para os judeus. Uma conhecida pontuou, para mim, certa feita, que os mulçumanos,também, vestem branco na sexta. (Falha minha não saber precisamente isto, até agora, confesso.) De qualquer sorte, aí temos um elemento interessante para a discussão sobre o Ecumenismo.
Conversava, outro dia, com uma amiga sobre os limites do Ecumenismo. Terreno lodoso e conflitivo, o esforço de se respeitar a fé do outro (e da outra, é óbvio) traz consigo limites bem demarcados, uma vez que religião é poder, e muito poder, em determinados casos.
Poder que, durante o processo histórico da humanidade, foi responsável pela morte de milhares de pessoas. Poder que prescreve normas e regras complexas no que tange à cultura e aos costumes.
Poder que estabelece separação entre as pessoas, quando num determinado locus histórico duas religiões disputam-no (como no caso de árabes e judeus na Palestina e católicos e protestantes na Irlanda do Norte).
Poder que segrega, mesmo graçando sozinho, por impingir códigos rígidos e anacrônicos, como foi demonstrado no romance o Caçador de Pipas, tão belamente transposto para o cinema.
O Ecumenismo, diante disto tudo, é muito louvável, pois amalgama uma reflexão democrática por parte de quem o concretiza.
"Quem é ateu e viu", ou não, "milagres como eu", acredito que esteja um pouco mais tranquilo. Em nada acredita e só lhe resta duas opções: achar todas as manifestações de fé uma coisa meio estapafúrdia ou respeitar isto como algo inerente ao ser humano, sem lhe dizer respeito, especificamente.
No meu caso, professar o ateísmo é coisa impossível. A religação é algo vital para mim. Sem fé não sobrevivo.
A experiência da fé é intransferível, sempre acreditei nisto. Por mais proselitista que seja o discurso do fiel no sentido de convencer o potencial convertido, se este não vivenciar viceralmente a fé e a experiencia da religação, em toda sua magnitude, a conversão não se processará.
A conversão acredito seja uma, ou a experiência de entrega mais complexa existente. Delega-se o poder que nos é conferido pela existência, preterimos todos os demais caminhos, em detrimento daquele que responde aos nossos anseios mais dificeis e marcantes. A conversão é a forma de aplacar os nossos conflitos que nos levam à guerra - a guerra interior. E nem sempre a conversão é eficaz, pois, em tempos de mudança paradigmática, como estes, conflito é o que não nos falta e temos que lidar com estas guerras cotidianas ansiando, ou pelo menos tendo fé que, no futuro, teremos uma realidade um pouco mais harmônica... sabe-se lá como.
Diante desta constatação vem a sexta-feira me dizer que hoje é dia de branco e que branco ainda simboliza a Paz.


Um excelente final de semana para todos nós: os que acreditam, seja lá de que forma, e para os que não acreditam tb.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

San Vicente


Amo San Vicente. Esta música interpretada por Milton é simplemente maravilhosa. No momento em que ela foi concebida, o Brasil respirava asfixiado pela Ditadura Militar, embora o pior já tivesse passado qdo Bituca, com este vozeirão inconfundível, gravou a canção. Fiquei recordando-a, um dia destes, e é uma pena que eu não saiba colocar, ainda, um arquivo midi no Blog, para ouvi-la aqui mesmo. De qualquer sorte, a letra está aí e fica prometida a música nesta voz tão nossa e tão querida.




San Vicente

Coração americano
Acordei de sonho estranho
Um gosto, vidro e corte
Um sabor de chocolate
No corpo e na cidade
Um sabor de vida e morte
Coração americano
Um sabor de vida e morte
A espera na fila imensa
E o corpo negro se esqueceu
stava em San Vicente
A cidade e suas luzes
Estava em San Vicente
As mulheres e os homens
Coração americano
Com sabor de vidro e corte


Ôoooooooooooo...


As horas não se contavam
E o que era negro anoiteceu
Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente
Coração americano
Um sabor de vidro e corte

domingo, 20 de julho de 2008

Domingo ...



... hoje ... o bom mesmo ... é sentar numa poltrona bem confortável e ler um bom livro e/ou ver um bom filme, juntinho com quem "canta a canção da nossa alma".

sábado, 19 de julho de 2008

Viver é afinar o instrumento...

"Lute Player" Orazio Gentileschi

Tenho lembrado muito desta música do Walter Franco, nestes últimos dias. É incrível, como há momentos em que desafinamos. A isto chamamos: crise! Às vezes desafinamos com nós mesmos, outras, com os outros. Por vezes, são os relacionamentos que desafinam. O mais importante, acredito, seja aproveitar a crise para afinar, o máximo possível, "o instrumento".

A letra do Walter (olha a intimidade!) é interessante, pois, propõe um atenção especial para estas "desafinadas" ao indicar a forma como o instrumento deve ser cuidado - de dentro pra fora, de fora pra dentro,a toda hora, a todo momento.

Enfim ...dá um trabalhão danado, mas o resultado é uma maravilha.



Serra do Luar

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento

Eu só voltei pra te contar
Viajei...Fui pra Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem pra terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo

A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Feliz Aniversário!

Hoje, os deuses festejam o aniversário de uma linda Estrela e, por isto, estão muito felizes.
Nós aqui, neste planeta confuso, também, paramos, a nossa rotina e as nossas queixas cotidianas para festejar, junto a eles, a presença desta Estrela em nossas vidas.
Que a Felicidade seja a companhia mais constante deste ser tão especial.
Muitos beijos, meu bem.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

...e a deusa Deméter concedeu-nos a Primavera!

O Retorno de Perséfone

Recordo-me, com um certo conforto, do mito de Deméter - a deusa cuja filha, Corê/Perséfone, foi roubada por Hades e diante do sofrimento fez com que a terra pagasse com a ausência da vida.
Pois bem, a nossa felicidade diante da realidade árida e caótica reside, justamente, na esperança das futuras Primaveras.

Quem sou eu

Minha foto
Alguem que ainda continua a procurar novas portas e experimentar novas chaves.