
Ele era egípcio. Isto mesmo. Morava em frente a mim e era egípcio. Não pensei em conhecer um na cidade, mas encontrei-me com ele algumas dezenas de vezes.
Os moradores do bairro o conheciam por um apelido italiano e era reconhecidamente um bom papo. Ultrapassara a casa dos oitenta, era místico, calvo, um olhar arguto e sempre me saudava com aquele sorriso acolhedor.
Na última segunda-feira passei por ele e o vi com um olhar pensativo e preocupado, fixado num certo ponto que parecia incomodar.
Após este encontro, fui para casa, pensando na fotografia que vira, há algum tempo, em sua residência, onde ele, jovem e bonito, montava um camelo, junto a outros dois homens, tb montados, na frente das clássicas pirâmides de Quéop, Quéfren e Miquerinos. A foto amarelada causou-me espanto. Parecia um registro de fotojornalismo, mas na verdade era um pedacinho da vida do meu vizinho a se confundir com as minhas memórias escolares - História do Egito:pirâmides, dinastias de faraós, escravos, politeísmo e o meu vizinho.
No dia seguinte, saindo para o trabalho alguém me perguntou: - vc já soube o que aconteceu? Pois bem, assim me veio a notícia do falecimento dele. Fiquei parada, congelada naqueles segundos imensos. Soube também que algumas pessoas, cedo, conversaram um pouco com ele, que por sua vez havia estado no médico, naquela mesma manhã para exames de rotina e nada fora detectado.
No dia seguinte, saindo para o trabalho alguém me perguntou: - vc já soube o que aconteceu? Pois bem, assim me veio a notícia do falecimento dele. Fiquei parada, congelada naqueles segundos imensos. Soube também que algumas pessoas, cedo, conversaram um pouco com ele, que por sua vez havia estado no médico, naquela mesma manhã para exames de rotina e nada fora detectado.
Hoje, passado dois dias, senti saudades da sua presença, do seu olhar arguto e do seu sorriso bondoso. Enfim, com uma passagem tão rápida, como foi a sua (beneficio concedido a tão poucos) acredito que ele esteja bem, feliz junto aos seus, faraós ou não.
