segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ano feliz e doce / Shaná Tová umetuká!


Começa a ser celebrado hoje, ao pôr-do-sol, o Rosh Hashana (Cabeça do Ano), Ano Novo judaico que marca o início no ano de 5769.
Para aqueles que seguem a lei mosaica, que este ano seja muito doce.
Para todos os demais, um feliz e doce recomeço, neste dia, pois todo dia é dia de recomeçar.

Eleições

Candelária - 1984

Às vésperas das eleições, reflito um pouco sobre as mudanças ocorridas neste processo, ao longo da História.
Para quem já votou algumas vezes, é normal deixar-se abater pelo desânimo. No polo oposto encontramos aqueles cujos pendores político-partidários, (em qualquer momento histórico), clamarão apaixonadamente por uma opção eleitoral, ou por outra.
Assistindo ao show das campanhas vejo-me diante de um grande pregão, como numa feira livre. Os candidatos e candidatas são apresentados na condição de mercadoria: este é melhor, por isto, aquele é melhor, por aquilo.
Nesta enxurrada de nomes, números e matizes ideológicos acontece um verdadeiro vale-tudo e as propostas e fórmulas mais esdrúxulas são veículadas na mídia.
Se por um lado rezamos para que isto acabe e nos livremos deste momento (ou seria tormento?), o mais rápido possível, por outro é sempre bom recordar os tempos da ditadura militar, no Brasil, quando a proibição dos pleitos democráticos esteve intrincada aos dissabores promovidos pela censura implacável e irrestrita.
De qualquer sorte, ainda que tenhamos a exata medida capitalista do carater democrático das eleições, é sempre bom (ainda que com algumas, ou muitas, contrariedades) desfrutar de momentos como este.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Anacronia e ultra-conservadorismo


Paulo Freire(Recife/1921 - São Paulo/1997), retratado por André Koehne (Wikipédia)

Um amigo me informou que a viúva de Paulo Freire escreveu uma carta em repúdio a uma edição da revista Veja. Fiquei bastante curiosa para ler mais sobre o assunto, pois, sempre fui uma entusiasta das idéias deste pensador, cujo papel histórico é da maior importancia para quem pensa a educação do país.
Enfim, encontrei o texto e fiquei impressionada com o grau de alienação das pessoas que o escreveram. O material pareceu-me estar inserido num momento histórico diferente do atual, ainda que tenha sido publicado há um pouco mais de um mês.
Usando referênciais anacrônicos, as autoras do artigo caracterizam o Prof. Paulo Freire como "autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização".
Estranhamente, este homem dedicou toda uma vida, construiu uma carreira acadêmica, das mais sólidas, ganhou discípulos e teve suas idéias adotadas em muitos outros países, como é o caso do Chile e de Angola, às custas de um disfarce. Será possível?
Ainda que setores conservadores da academia tivessem restrições àquilo que se convencionou chamar de Método Paulo Freire, tecendo muitas críticas às suas idéias, é correto chamar todo um constructo político-pedagógico, da maior seriedade, de disfarce?
A Pontificia Universidade Católica - PUC, de São Paulo, teria criado uma Cátedra homenageando um charlatão?
Para quem quer flanar na crista da discussão estabelecida pela pós-modernidade, de qualquer sorte, jamais deveria adotar uma terminologia tão anacrônica quanto "doutrinação esquerdista", uma vez que isto remete a uma idéia de bipolaridade, atualmente, ultrapassada.
Para as autoras do artigo, os(as) docentes brasileiros(as) são acríticos em relação a alguns personagens históricos por destacar figuras como Che Guevara e Paulo Freire, quando deveriam reverenciar "o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade". (Palavras textuais)
Não seria muito mais acrítico, eleger Einstein como referência fundamental para educadores brasileiros preocupados com a nossa realidade histórica?
Ana Maria Freire, Nita, responde à altura considerando o conteúdo da revista ultra-conservador e os comentários tecidos contra Paulo Freire veiculados em "linguagem grosseira, rasteira e irresponsável".
A revista, portanto, adota uma "postura danosa" na condição de veículo midiático.
(Ir)responsabilidades a parte, ter contacto com algo desta natureza só nos remete àquele questionamento da superposição dos vários tempos da História, onde espaços reacionários são capazes de conviver com outros tantos mais, ou menos, progressistas.
Para quem gosta desta discussão segue o link:

domingo, 21 de setembro de 2008

Feliz semana

O domingo nos suscita sempre o mesmo ritual: fechar os olhos, respirar fundo e acreditar que tudo vai dar certo nesta semana que começa.
Então, mãos a obra!
Que esta semana seja gentil com os seus olhos, proporcionando imagens maravilhosas. Que você veja muitas crianças sorrindo, muitos pássaros, muitas flores de dia e muitas estrelas a noite.
Que você sinta, bem pertinho, muitas e muitas vezes o perfume de quem vc ama. O cheirinho da comidinha feita com carinho e que nas refeições o seu espírito seja alimentado pela presença daqueles que lhe são caros.
Que vc ouça a sua música predileta, as suas vozes prediletas, em canções gravadas ou na canção interior.
Que suas preces sejam por uma realidade mais harmônica, para todos nós.
Que vc seja feliz no seu tempo e no seu estilo.

Um beijo para quem passa por aqui e feliz semana!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Papéis trocados


Li, aqui mesmo na net, um caso muito interessante de um furto ocorrido no Rio Grande do Sul, mais precisamente, em Passo Fundo.
Um ladrão rouba um carro, estacionado na frente de um bar e algum tempo depois liga pra delagacia dizendo que estava devolvendo o veículo, pois, encontrara no banco traseiro um garotinho de 5 anos dormindo.
No diálogo entre ele e o policial de plantão estão presentes elementos muito interessantes.
Primeiro ele diz que roubara o carro mesmo e que estava assumindo. Em seguida, falava na criança e acusava os pais (e aí ele usa de palavreado chulo para se referir aos responsáveis pelo menino, coisa que eu achei excelente, pois, nada como um bom palavrão para traduzir, em determinados momentos, o que realmente sentimos) de irresponsáveis.
No final ele assume uma postura muito afetiva (quase fôfa mesmo) ao tratar o menino por "piazinho" diminutivo de piá (termo usado pelos gaúchos para se referirem às crianças).
Enfim show de um monte de coisas bacanas este ladrão: honestidade, responsabilidade, maturidade, afetividade ... atributos normalmente concernentes aos pais e não aos transgressores da lei.
A mãe, na eminencia de ter um processo aberto contra si, defendeu-se dizendo que fora ao bar, rapidamente, para pegar um documento e coisa e tal. Enfim, não convenceu!
Em tempos de situações tão estapafurdias...brindemos ao que ainda nos resta de bom.

Tenham uma ótima sexta-feira!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ele


Há muito penso em falar dele. Na execução desta tarefa, entretanto, enfrento muitas dificuldades. Quem manda, tb, ele ser tão singular?
O que me vem à cabeça, de imediato, é uma lista enorme de elogios. É claro que eu ficaria constrangidíssima em fazer isto, mas a tentação é grande.
Então vamos lá: como pode alguém nascido em pleno século 17, ter ficado em plena invisibilidade durante mais de um século e, passados tantos anos, ser capaz de preencher a lacuna estética de pessoas tão diferentes pelo mundo?
Que singularidade traz a sua produção ao ponto de ser alvo de tantos e tantos especialistas e estudiosos?
No meu caso, então, nem se fala. Ele não só me entende ... ele me traduz. É bem isto mesmo. Eu me vejo, ali, representada. Nota por nota. E isto me deixa muito pensativa, pois acredito que outros e outras tb tenham reações similares.
Na verdade, devo confessar: tenho ciúmes dele.
Irrita-me, sobremaneira, encontrar alguém (que não sou eu, evidentemente) dizendo: ah ...isto ele fez pra mim! Aquilo ele compôs para mim, muito antes d´eu nascer.
Pouco me importa se quem fala é especialista, ou não. Se é idoso e passou a vida toda a estudá-lo e até se gravou suas obras e é renomado, por isto mesmo.
Desculpem-me todos, mas a coisa é assim mesmo.
E não quero ser afetivamente correta, se é que isto é possivel. Então ele é meu e depois de ser meu ... ah ... aí sim ... pode ser dos(as) demais.
.

É isto.
.


PS: Para eu não ficar com minha consciência pesada, segue o link: http://www.jsbach.net/midi/index.html

A fábula

Reza a fábula que ele era dono de uma bela voz e criara uma comunidade, onde todos se respeitavam e brincavam uns com os outros.
O seu temperamento não era nada fácil, mas tudo era superado pela deferência com que tratava a todos e pelo carinho, de sua parte, expresso frequentemente.
Apesar de suas constantes exigências acompanhadas, quase sempre, de muitas queixas, todos naquele universo devotavam-lhe grande amizade e carinho.
A inquietação era uma outra característica sua. Sempre disposto a renovar o ambiente e a agregar os amigos, criara momentos muito especiais.
Assim, ele seguia propiciando a socialização de muitas novidades interessantes e estimulando a participação de todos.
Nestes tempos complicados...ainda bem que as fábulas existem e delas podemos desfrutar ... quase sempre.

A afetividade e o virtual


Fiquei pensando nos laços afetivos desenvolvidos na virtualidade. Antigamente, para chamarmos alguém de amigo(a) era necessário conhecer a pessoa para além (ou aquém) da esfera pública. Era preciso frequentar-lhe a casa, conhecer sua família, adentrar um pouco na sua intimidade e todos estes passos eram próprios deste processo.
A revolução tecnológica trouxe consigo uma alteração bastante significatica e, quase mesmo, desconcertante das noções ligadas à esfera afetiva.
A enorme gama de possibilidades disponibilizadas na Rede, para todos os gostos e necessidades, possibilita a rediscussão deste tema.
Casamentos, aparentemente, sólidos são desfeitos graças à chegada, através do teclado e do monitor, de uma terceira possibilidade. Por vezes, as lacunas e arestas existentes nas relações conjugais são supridas e/ou aparadas pela presença, em muitos casos, idealizada daquele, ou daquela que reestabelecerá, ainda que por algum tempo, os níveis de endorfina a patamares aceitaveis.
Em salas virtuais, comunidades do Orkut e listas de discussões, amizades são constituídas. Inimizades tb. No espaço virtual, conhece-se pessoas de quase todos os lugares pelos quais a globalização deu o ar de sua graça ou anti-graça.
A despeito de todos os perigos existentes, na internet encontram-se pessoas ímpares. Nossos amigos virtuais, na verdade, pela singularidade de suas inserções em nossas vidas, são muito mais que isto. Suas presenças são mais constantes que amigos e/ou amigas que conhecemos há muito. Com eles trocamos idéias e deles sentimos saudades. Ouvimos e damos opiniões sobre questões importantes, conhecemos suas prioridades e preferências, e assim estes laços são estabelecidos, independente de um abraço ou aperto de mão.
Hoje parei para escrever estas coisas, pois, mais uma vez fui contemplada com uma bronca carinhosa em relação à atualização do Estrelas. E eu, devo confessar, fico sempre feliz com isto.
Para todos os que conheci no espaço virtual e aprendi a gostar no campo real, desejo um resto de semana maravilhoso.

domingo, 7 de setembro de 2008

Amy

Levei uma bronca carinhosa por ter abandonado este espaço. Então, aqui estou, prontamente, de volta ao Estrelas.
Li, outro dia, uma nota sobre a criação de uma bolsa de apostas em função do dia da morte de Amy Winehouse.
Fiquei me perguntando o porquê destas coisas.
Causou-me espanto, primeiramente, a morbidez do assunto. Acredito que muitos apostadores sintam-se estimulados pela forma como a imprensa sempre trata temas desta ordem.
Em seguida, fiquei pensando na garota cujo talento musical foi revelado muito precocemente, de perfomances estilosas, com prêmios acumulados, teimando em dizer "No, no, no" a tudo aquilo que não seja viceralmente radical.
Refletindo sobre as trilhas de Joplin, Hendrix e tantos outros, cujas carreiras foram, na maioria dos casos, interrompidas pelas próprias dimensões de suas dores e anseios.
Como este espaço foi criado para discutir pesadelos, todas estas questões parecem dialogar com esta imagem de Amy, a sonhar, também, com muitas perspectivas de sim, em sua estrada, pois, a estrada também nos assegura muitos "sims" para dialogar com outros tantos nãos.
...
...

Quem sou eu

Minha foto
Alguem que ainda continua a procurar novas portas e experimentar novas chaves.